A Bolinha

bolinha emprestada
Anton com uma bolinha emprestada

Esta página é uma homenagem ao Anton, o ser canino mais lindo deste mundo.
Ele adorava brincar de Bolinha, perseguí-la e jogar eu-tenho-você-não-tem, tenta tirar ela de mim, tenta!
Então, aqui apresento alguns textos sobre este jogo cativante que os cães tanto adoram.

 

Esta era a bolinha do Anton

A bolinha acima foi a segunda do Anton (ele ficou com ela até o final de sua vida).
A primeira, que era azul (e aparece nas fotos abaixo), eu, Gisele, PERDI!


Pega a bolinha, Anton!!!!Pegou!!!!


Obs.: O Hommer não gostava de brincar com bolinhas; ele só brincava com pão francês! E depois o comia, é claro...

pão francês


Trecho de My Talks with Dean Spanley
Edward John Moreton Drax Plunkett (Lorde Dunsany)

"'Perseguir algo ao nível do chão', ele disse, 'é sempre cansativo. Você constantemente se choca com aquilo que está perseguindo. Não há nada melhor do que uma . A  é tão rápida que faz com que você alcance sua velocidade máxima, de uma maneira muito estimulante, e ela pode pular tanto quanto você, e antes que você comece a se cansar, ela diminui a velocidade. E ainda, demora-se bastante para comê-la; então, de uma maneira ou de outra, há mais divertimento numa  do que talvez em qualquer outra coisa que você possa perseguir. Se pudesse jogá-la você mesmo, como fazem os donos, não posso imaginar uma vida mais completa do que lançar a  e perseguí-la o dia inteiro."


Trecho de Memórias de um Cão
Peter Mayle
Tradução: Waldéa Barcellos
 

A alegria das bolas

        "...Foi pouco depois do incidente com o ursinho que me deram a primeira de tênis, e eu me apeguei a ela imediatamente. Redonda, elástica e pequena o suficiente para eu carregar num lado da boca enquanto posso latir com o outro lado, ela foi minha companheira constante durante semanas."
 
 

        "...E esse, na minha respeitada opinião, é um dos poucos aspectos interessantes do tênis. Como em grande parte do que se passa no esporte, um princípio básico não foi bem compreendido. A essência de qualquer jogo, na minha opinião, consiste em obter a posse da  e descobrir um canto tranqüilo onde se possa destruí-la em paz. Mas o que fazem essas pessoas extremamente bem pagas e vestidas em cores medonhas? Elas batem na , chutam, atiram, fazem-na quicar, enfiam-na numa cesta, num buraco, e geralmente portam-se como palhaços com ela. Depois eles  se beijam e se dão tapinhas ou têm um ataque de nervos e vão ficar amuados num canto. Homens e mulheres, adultos, é o que são, embora nunca se possa imaginar isso. Conheço crianças de cinco anos com um controle melhor sobre si mesmas.

        No entanto, não quero que vocês pensem que sou totalmente despovido de instintos esportivos. Minha versão de 'apanhe a ', por exemplo, me proporciona horas de diversão inocente e mantém os adultos participantes longe do bar e de encrencas. Além disso, eu sempre ganho, que é como deve ser.

       Para começar, escolho um ponto elevado. Poderia ser o alto de um lance de escadas, um muro, a parte mais rasa da piscina — qualquer lugar que me dê uma vantagem de altura. A escada é a melhor opção em virtude do acréscimo de benefícios cardiovasculares, mas num minuto eu chego lá.

        Assumo minha posição, com a  na boca, e me estendo no chão com a cabeça baixa, no estilo do abutre que contempla a morte iminente da sua primeira refeição do dia. Mais cedo ou mais tarde, essa pose imóvel e bastante incomum atrai atenção. 'O que é que Boy está fazendo?', dizem eles, ou 'Será que ele vai vomitar?' Tendo voltado para mim os olhos da plateia reunida, eu abro lentamente a boca e deixo que a  quique livremente. Lá vai ela descendo a escada, muro abaixo ou para a parte funda da piscina. Eu permaneço perfeitamente imóvel, sem piscar, com os olhos fixos na bola. É um momento de expectativa e determinação.

        A expectativa dura até que alguém tenha o bom senso de captar o objetivo do jogo, que consiste em recuperar a  e devolvê-la. Se os espectadores forem especialmente obtusos — e podem acreditar que já encontrei alguns que pareciam desprovidos de cérebro —, posso ter de dar um curto latido para indicar que o jogo começou. A  é apanhada, trazida de volta e entregue a mim. Eu dou aos jogadores um minuto ou dois para se acomodarem e se recuperarem da emoção, e em seguida repito o processo.

        Mencionei escadas anteriormente. Elas têm a dupla atração do barulho e do saudável esforço físico, em comparação com o habitual programa das visitas, de flexão de cotovelos e exercício de levantamento de pesos com o garfo e a faca. A  que cai produz múltiplos sons ao quicar, e quem a apanha precisa subir a escada para devolvê-la. Como qualquer médico lhes dirá, isso é muito benéfico para as pernas e os pulmões.

        Admito, porém, que houve dias em que não me saí bem nesses lançamentos longos. As s podem quicar de modo infeliz, como todos nós sabemos, e às vezes se perdem no mato. Ou, com maior freqüência, os espectadores se envolvem demais com os come-e-bebes para prestar atenção. Segue-se um exemplo inspirador, creio eu, da dedicação e da vontade de vencer, enfrentando todos os obstáculos.

        Era uma daquelas noites em que nada que eu fizesse conseguia interromper a happy hour. Eu me abaixava, deixava a  cair, latia; e mesmo assim a folia continuava. Sofri até mesmo a ignomínia de ter que ir buscar a  sozinho — que, como lhes dirá qualquer um dos integrantes do mundo do tênis, é um destino pior do que ter que pagar as raquetes do próprio bolso. No entanto, em vez de explodir em lágrimas e chamar meu agente, como a maioria deles faria, recorri ao meu lançamento curto.

        Os convidados ali reunidos — deviam ter sido oito ou dez, em vários estágios de incoerência — estavam todos sentados em torno de uma mesa de centro, queixando-se amargamente das agruras da vida enquanto caíam em cima dos hors d'ouvres e exibiam seus copos vazios para mais uma rodada. Nenhum deles percebeu minha presença enquanto eu me esgueirava, como um espectro, em meio à floresta de braços e pernas até a mesinha.

        E então — num smash do alto — deixei a  cair na tigela de tapenade, que, como vocês podem saber, é uma pasta negra e oleosa feita de azeitonas. Ela costuma respingar de um modo extremamente satisfatório, e os que estavam nas proximidades ficaram cobertos de manchinhas negras.

        Podia-se ouvir a perplexidade geral. Valeu perfeitamente o castigo que se seguiu; e até hoje, sempre que apanho minha  preferida, sou encarado com o prudente respeito que se deve a um campeão. Por sinal, se vocês nunca experimentaram uma  de tênis com sabor de tapenade, posso recomendar a iguaria. Receitas a pedido."


Trecho de Meus Cães, Minha Vida
Mark Doty
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

"...Ele* tinha a cabeça quadrada, a pelagem impermeável e os hábitos de salvamento de um terra-nova, mas era menor e mais ágil, e adorava, como os retrievers, apanhar uma  de tênis, embora seu jogo preferido não fosse apanhar, mas 'eu-tenho-e-você-não', que é um esporte terminantemente sem graça para o que não tem."

*Arden


Trecho de Every Dog Should Own a Man
Corey Ford

        Todo mundo deveria aprender a apanhar uma  de borracha. A maneira como meu setter me ensinou este truque foi simples. Ele deitava no meio da sala enquanto eu levava a  para o extremo oposto e então a rolava em sua direção, dizendo a palavra "Pega!" Ele observava atentamente a  quando esta passava perto dele e ia para debaixo do sofá. Então, eu pegava a bola de debaixo do sofá e a jogava novamente em sua direção, com o mesmo comando, "Pega!" Esta lição era repetida até que o setter caísse no sono. Depois disso, eu pegava a  toda vez que eu dizia "Pega!"



Trecho de The Bunch Book
James Douglas

Capítulo XIX - No qual Bunch descobre que uma Bolinha é o Antídoto Para o Tédio

Bunch by

Cecil Aldin
Bunch por Cecil Aldin

...da misteriosa paixão atual na vidinha de Bunch. Para sua alma, a   é a quintessência do êxtase.

Ele sabe onde ela é guardada. Se abro a gaveta do chapeleiro ele late entusiasticamente, pois sabe que o gesto é um prelúdio para um passeio.

Se coloco sua
  no bolso de meu sobretudo, ele fica de olho naquele bolso. Ele pula e cheira o bolso. Se eu sento em um banco no parque, ele insere o focinho no bolso e extrai a bolinha.

Sua felicidade quando eu jogo a
  ultrapassa qualquer felicidade jamais sentida por um ser humano. Ele emite um grito de prazer que é mais intenso do que qualquer enlevo lírico de Shelley.

Seria errado dizer que sua felicidade não tem limites, porque ela conhece cada pulo que um cão é capaz de exibir. Ele pula pelo puro prazer de pular. Ele pula até não poder mais pular, e então ele se deita com sua língua para fora, sua
  entre as patas, arfando e suspirando no sétimo céu da felicidade.

Quando  está sozinho, ele joga diversos jogos com sua
. Coloca sua cabeça para o lado e a encara. Então, ele a rola dando uma pancada com sua pata, a persegue, a pega, a joga no ar e a pega novamente. (Hommer fazia exatamente isso com o pão francês! Imaginem um Basset Hound fazendo isso, hoje em dia ia ser um sucesso no You Tube...)

Ele consome grandes estoques de s. Sua conta é enorme. Eu não sei se ele as come ou não (Hommer uma vez comeu uma), mas elas desaparecem. Ele esconde bolinhas por todo lugar e esquece onde as escondeu.

Às vezes ele é encontrado num aposento vazio, sentado e implorando por uma
  que está em algum lugar longe de seu alcance. A   pode estar invisível, mas ele sabe que ela está lá. (Anton fazia isso o tempo todo)

Frequentemente nos recusamos a acreditar nele, mas se procuramos por ela, inevitavelmente nós a encontramos.
(A gente nunca acreditava no Anton, mas sempre acabava achando a bolinha debaixo ou atrás de alguma coisa!)





Por Favor Jogue a Bolinha pintado Frank Parton

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